profissional. Adj. 2 g. 1. Respeitante ou pertencente a profissão, ou a certa profissão. 2. Que exerce uma atividade por profissão* ou ofício.
*profissão. S. f. …3. Atividade ou ocupação especializada, e que supõe determinado preparo. 4. Carreira. 5. Meio de subsistência remunerado resultante do exercício de um trabalho, de um ofício.
(Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Folha/Aurélio 1995)
Bem, no popular, profissional é o cara do qual se espera alguma certeza em saber o que está fazendo e diante do qual se calam os palpiteiros. Todos esperam os resultados. Ponto. Ou parênteses, afinal, sabemos que nem sempre é assim. Mas minha definição de profissional é: Aquele que tem o compromisso contratado e remunerado com um resultado. E já dizia meu pai, que na juventude foi operário numa montadora de tratores: “pra fazer direito tem que ter a ferramenta certa.”

E nesse ponto que vou entrar num assunto polêmico, que não deveria ser polêmico se na web todos não levassem as opiniões sempre a pólos tão extremos. Porque é óbvio que equipamento é parte muito importante para a obtenção de resultados. Me preocupa o discurso fechado, definitivo e mal explicado que o bom fotógrafo não depende da qualidade e das propriedades de seu instrumento. Não, não vamos levar a extremos, pois não, o equipamento não faz o fotógrafo, o equipamento sem o devido preparo não executa um trabalho. Sim, uma boa foto pode ter sua origem em qualquer equipamento. Sim, um bom fotógrafo tira leite de pedra.
Mas estou falando daquela cara, que apareceu no começo do texto e que tem compromisso com um resultado. Resultado controlado e específico. Que foi remunerado e que dele se espera um serviço prestado, independente de adversidades ocasionais e surpresas. Algumas vezes dependente do clima, e olhe lá. Do fotógrafo profissional se espera o serviço combinado e como fora combinado. Do fotógrafo profissional não se espera desculpas.
E para atingir resultados previsíveis e previstos, para executar serviços específicos e planejados é necessário o equipamento certo e bom. Não menos e não mais do que o necessário, mas o certo. Qualquer negócio requer investimento estrutural e não estou fazendo nenhum culto aos apelos ridículos de marketing da indústria, tão pouco defendendo aqueles que desfilam um arsenal milionário de utilidade duvidosa, como se isso fosse algum passaporte para a consagração. Mesmo porque, as ferramentas têm que fazer parte do investimento, e investimento pressupõe retorno. Ou seja, há que se adquirir aquilo que se pode transformar em remuneração satisfatória em determinado espaço de tempo. E isso tem lugar certo na planilha de custos da empreitada fotográfica. Estou falando do uso do equipamento correto, posto que são ferramentas, e ferramentas corretas são o veículo da eficiência.

Não é responsável aquele que acha que com o básico pode fazer qualquer coisa. Que com o básico pode executar qualquer serviço.
É muito diferente de quando saímos com uma camera qualquer, um celular ou um setup limitado e, tanto foto como fotógrafo maravilhosamente se encontram. Sem compromisso, apenas se encontram. O bom fotógrafo vai saber aproveitar a oportunidade, e de qualquer equipamento vai obter algum resultado. Mas isso foi brifado? Isso foi contratado? Há um cliente esperando aquele resultado?

Entender realmente o que é de fato necessário leva tempo. Pessoas diferentes se adaptam e sentem necessidade de instrumentos parecidos mas diferentes. Começa-se devagar. E evoluí-se o mais concomitantemente possível com que evoluí-se o trabalho e a exigência da clientela. Avançar além do básico deve ser um processo lento e, principalmente, customizado, em sintonia com a experiência adquirida.
Assunto e argumentação óbvia? Sim, isso parece óbvio em qualquer profissão, não é mesmo? Mas é debate em fotografia. E o é porque fotografia, agrega um ingrediente extra: O fascínio! Tanto fascínio pelo status de fotógrafo (bagh!) quanto a velha e boa auto afirmação através de utensílios importados, caros (os gadgets fotográficos) e a péssima mania de achar que é possível encurtar caminhos com o cartão de crédito internacional. É fato que alguns iniciantes gastam absurdos com o que ainda não sabem usar e que de fato nem o sabem se é realmente útil para suas pretensões. Superdimensionam a estrutura. Claro, tudo isso é um bestial equívoco e tudo tem seu tempo. Assim como é equivocado louvar qualquer foto através da ferramenta usada para adquirí-la. Afinal, você pode fazer uma foto boa com qualquer equipamento, mas não pode fazer qualquer foto com qualquer equipamento. Precisa da ferramenta certa.