O domínio da luz

Apenas uma reflexão

Sempre ouço gente se referindo à expertise fotográfica como o saber dominar a luz.

Ahhh, fosse esse todo o problema do fotógrafo… Dominar a luz é fácil! É física, matemática, ótica e geometria. Basta estudar, praticar, experimentar, basta ler, basta conhecer os instrumentos e suas particularidades, basta saber o porque de cada qual e o que fazer com cada um. Dominar a luz é fácil, ela é dócil, gentil e previsível. Basta saber distinguir a boa da ruim, ler os números, fazer as contas e pimpa! Qualquer sapo sem asas acerta a luz. Ahhh se fossem essas todas as dificuldades…

Difícil é saber o que fazer com a luz dominada. Difícil é dominar a forma. Dominar os planos, dominar os arranjos. Difícil é dominar a linguagem, o instante, a narração. Difícil é dominar as ideias. Dominar os próprios projetos. Dominar as finanças e a clientela. Difícil é dominar o relógio, o clima e a sorte. Difícil é dominar os ânimos, as ansiedades, as decepções. Difícil dominar o ego. Difícil é dominar os medos. Difícil é não ser dominado por quem não tem luz. Nem asas.

Carta aberta ao querido cliente e ao querido concorrente.

Washington Olivetto, em entrevista à revista Exame em 2003, disse que a W/Brasil devia fazer sempre o melhor, mais rápido e a um custo menor sem, para isso, fazer economias tolas ou extorquir fornecedores.

Não menos sábio, numa negociação, me disse um cliente: ” Não pechinchamos com nossos parceiros, não queremos levar vantagem. Não se rouba o suor de ninguém.”

É realmente de se lamentar que muitas empresas e até agências de propaganda enxerguem nosso trabalho como mera commodite, sujeita a pregões e definições de valor meramente pela oferta.

Nada contra o “pechinchar”. Acho lícito. Mas há que se perceber o limite do respeito entre as partes, suas necessidades e sua capacidade de conhecer o valor de um trabalho e de seus benefícios. Negociar é humano, e até na frieza do acerto de valores para uma prestação de serviços objetiva, carrega a psicológica e vitalizante sensação de vitória ao conquistador de alguns “porcentos” de abatimento. Só que existe a necessidade de se manter a satisfação mútua, como na metodologia do ganha-ganha de Ronald Shapiro, e nunca o achaque de uma parte sobre a necessidade da outra, nunca o sequestro do trabalho ou a chantagem sobre ele. Há que se lembrar que num trabalho, sobremaneira aqueles que exigem de soluções não padrão, soluções com criatividade e iniciativa intelectual, como design, arquitetura, fotografia, propaganda e etc, o envolvimento e o entusiasmo têm peso enorme no resultado.

Mas há um pensamento tacanho que entende como parte do jogo extorquir diante da grande oferta. E não nos adianta muito argumentar que no final a qualidade de um profissional será o fiel da balança. Não é bem assim! Há, claro, situações abençoadas onde o binômio qualidade-atendimento é determinante e mais influente do que o preço. Mas é uma situação que beira a exceção no rala-e-rola da rotina de um fotógrafo mortal.

Clientes, em sua maioria não distinguem sutilezas técnicas e estéticas. Percebem que algo, um nãoseioquê, não parece bom, ou algo que lhe agrada demais sem lhe ser evidente, quando a comparação é entre níveis significativamente diferentes de trabalho. E ainda assim, isso não significará que não vão optar pelo mais barato. Pois para eles é muito distante a associação desse diferencial com suas vendas. Para quem tem que apresentar resultados rápidos, importa um número rápido: O preço!

©Marcelo dos Santos

Educar o mercado? Sonho! Isso não existe! Entrar no jogo e mandar um monte de princípios a merda para vencer sempre? Bom, se você se sujeita a isso você deveria experimentar uma profissão mais lucrativa. Pois não gosta do que faz quem o faz de  forma a torná-lo lucrativo a qualquer custo. Inclusive o custo de fazer bem feito. E por mais que você se arreganhe para o mercado, aviso, você só vai sofrer. Vai transformar uma atividade prazerosa em burocrática rotina. E vai continuar ganhando mal.

E como mudar um mercado? Quantos de nós não fazem o mesmo quando o assunto é “equipe”? Quantos de nós não exploram assistentes com o argumento vergonhoso de que está ensinando? Quantos damos o exemplo?

Há que se compreender que ninguém pode investir uma grana tamanha pra ficar olhando pra um telefone que não toca. Há que se compreender que todos temos nossas contas pra pagar e não dá pra estar sempre deixando o trabalho escapar para as mãos de outro profissional, digamos, “mais flexível”. Isso são as leis do mercado. As mais elementares. Mas é importante ter em mente que pagar o aluguel deste mês, cedendo ao trabalho barato, provavelmente vai comprometer as férias do próximo ano.

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Solução? Você está lendo até aqui esperando que eu sugira alguma solução? Infelizmente não há. As pessoas não vão se unir para mudar um mercado. Perguntem para o pessoal do mercado de design gráfico! Perguntem para os músicos! Muitas profissões já passaram pelo processo que o fotógrafo vem passando na última década. E o que vai acontecer é que cada um vai agir conforme a sua necessidade, a sua consciência e a sua posição no mercado. Discurso vamos ouvir muitos. Mas ali, na sala fechada onde a onça bebe água, muitos vão ceder à extorsões. Estamos numa fase de transformação. E, é de acordo com a postura de cada um que vamos ter a consolidação do mercado futuro. A minha postura? Sou o jocosamente e injustamente conhecido como fotógrafo de final de semana. Parece que brinco de ser fotógrafo, mas a verdade é que trabalho mais de 70 horas por semana para tocar duas profissões, sacrificando lazer, convívio familiar e descanso por amor à fotografia. E essa condição, ao contrário do que muitos dizem, me permite cobrar um preço justo e não ceder a achaques. Se um cliente que não entende o valor real de um bom trabalho não estiver disposto a aceitar o preço que cobro, que considero justo na ponta do lápis, ele não me interessa. Não vou deixar de honrar meus compromissos por recusar participar de leilões. Tenho lá de onde tirar outros caraminguás. Posso me dar a esse “luxo”. E espero que isso construa uma rede de bons parceiros, que sabem o valor do resultado de trabalhar com gente adequadamente remunerada.

Da minha parte, quero uma relação de amor e confiança, tanto com quem me contrata quanto com quem eu contrato. O segredo do bom trabalho é ter todos os lados satisfeitos. O trabalho é antes de tudo uma relação entre as partes. Então que seja uma boa relação para fazermos o melhor, o mais rápido e ao custo mais justo. Deixarei o sequestro e a extorsão pra quem compra fotografia como compra um saco de milho.

P.S.: O que as fotos que ilustram o post têm a ver com o assunto? Tudo, oras!

Tem hora e jeito pra tudo

Quem me conhece sabe que não saio de casa sem uma compacta “entusiasta” bem boazinha. Acabei por relegar as DSLRs meramente para o trabalho comercial remunerado. Chega de dores nas costas, chega de ser babá de camera em passeios e etc. Pronto, a compactazinha tá lá para o imperdível. Afinal, camera é camera, certo?

Errado! Pelo menos pra mim. Nada como enfiar o olho dentro do buraquinho, e resolver o que quero com o polegar e o indicador. Fotometria pontual, foco pontual, capricha no enquadramento e pimba! Pra mim, Marcelo, ergonomia é fundamental. E por mais que as compactas e celulares hoje estejam com uma boa capacidade de captura e customizacão, ter que entrar num menu e vencer a luz do sol num display pra fazer uma foto é um pé no saco!

 

Tem hora é que é bom ser prático, leve e discreto. Tem hora que é melhor ser rápido, confortável e preciso. Cada um cada um.

ferramenta

profissional. Adj. 2 g. 1. Respeitante ou pertencente a profissão, ou a certa profissão. 2. Que exerce uma atividade por profissão* ou ofício.

*profissão. S. f.3. Atividade ou ocupação especializada, e que supõe determinado preparo. 4. Carreira. 5. Meio de subsistência remunerado resultante do exercício de um trabalho, de um ofício.
(Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Folha/Aurélio 1995)

Bem, no popular, profissional é o cara do qual se espera alguma certeza em saber o que está fazendo e diante do qual se calam os palpiteiros. Todos esperam os resultados. Ponto. Ou parênteses, afinal, sabemos que nem sempre é assim. Mas minha definição de profissional é: Aquele que tem o compromisso contratado e remunerado com um resultado. E já dizia meu pai, que na juventude foi operário numa montadora de tratores: “pra fazer direito tem que ter a ferramenta certa.”

E nesse ponto que vou entrar num assunto polêmico, que não deveria ser polêmico se na web todos não levassem as opiniões sempre a pólos tão extremos. Porque é óbvio que equipamento é parte muito importante para a obtenção de resultados. Me preocupa o discurso fechado, definitivo e mal explicado que o bom fotógrafo não depende da qualidade e das propriedades de seu instrumento. Não, não vamos levar a extremos, pois não, o equipamento não faz o fotógrafo, o equipamento sem o devido preparo não executa um trabalho. Sim, uma boa foto pode ter sua origem em qualquer equipamento. Sim, um bom fotógrafo tira leite de pedra.

Mas estou falando daquela cara, que apareceu no começo do texto e que tem compromisso com um resultado. Resultado controlado e específico. Que foi remunerado e que dele se espera um serviço prestado, independente de adversidades ocasionais e surpresas. Algumas vezes dependente do clima, e olhe lá. Do fotógrafo profissional se espera o serviço combinado e como fora combinado. Do fotógrafo profissional não se espera desculpas.

E para atingir resultados previsíveis e previstos, para executar serviços específicos e planejados é necessário o equipamento certo e bom. Não menos e não mais do que o necessário, mas o certo. Qualquer negócio requer investimento estrutural e não estou fazendo nenhum culto aos apelos ridículos de marketing da indústria, tão pouco defendendo aqueles que desfilam um arsenal milionário de utilidade duvidosa, como se isso fosse algum passaporte para a consagração. Mesmo porque, as ferramentas têm que fazer parte do investimento, e investimento pressupõe retorno. Ou seja, há que se adquirir aquilo que se pode transformar em remuneração satisfatória em determinado espaço de tempo. E isso tem lugar certo na planilha de custos da empreitada fotográfica. Estou falando do uso do equipamento correto, posto que são ferramentas, e ferramentas corretas são o veículo da eficiência.

Não é responsável aquele que acha que com o básico pode fazer qualquer coisa. Que com o básico pode executar qualquer serviço.

É muito diferente de quando saímos com uma camera qualquer, um celular ou um setup limitado e, tanto foto como fotógrafo maravilhosamente se encontram. Sem compromisso, apenas se encontram. O bom fotógrafo vai saber aproveitar a oportunidade, e de qualquer equipamento vai obter algum resultado. Mas isso foi brifado? Isso foi contratado? Há um cliente esperando aquele resultado?

Entender realmente o que é de fato necessário leva tempo. Pessoas diferentes se adaptam e sentem necessidade de instrumentos parecidos mas diferentes. Começa-se devagar. E evoluí-se o mais concomitantemente possível com que evoluí-se o trabalho e a exigência da clientela. Avançar além do básico deve ser um processo lento e, principalmente, customizado, em sintonia com a experiência adquirida.

Assunto e argumentação óbvia? Sim, isso parece óbvio em qualquer profissão, não é mesmo? Mas é debate em fotografia. E o é porque fotografia, agrega um ingrediente extra: O fascínio! Tanto fascínio pelo status de fotógrafo (bagh!) quanto a velha e boa auto afirmação através de utensílios importados, caros (os gadgets fotográficos) e a péssima mania de achar que é possível encurtar caminhos com o cartão de crédito internacional. É fato que alguns iniciantes gastam absurdos com o que ainda não sabem usar e que de fato nem o sabem se é realmente útil para suas pretensões. Superdimensionam a estrutura. Claro, tudo isso é um bestial equívoco e tudo tem seu tempo. Assim como é equivocado louvar qualquer foto através da ferramenta usada para adquirí-la. Afinal, você pode fazer uma foto boa com qualquer equipamento, mas não pode fazer qualquer foto com qualquer equipamento. Precisa da ferramenta certa.

 

Luz dura e equipamento barato


Faz tempo que eu estava precisando de sol. Sol pra fotografar e desenhar com as sombras. Mas hoje, quando o sol resolveu dar o “ar da sua graça força máxima”, me perdi na preguiça dominical e deixei a boa luz das primeiras horas da manhã escapar. Então entre uma caminhada na praia e sair para umas fotos sob luz dura, optei pelos dois. Então peguei um kit “qualquer parada” (uma D70s velhinha, uma 50mm 1.8 baratinha), enfiei numa mochila pequena e fui pra praia como qualquer banhista para fazer a caminhada pela faixa de areia (hábito pra lá de santista).

É muito difícil ser invisível numa praia. As pessoas, na grande maioria das vezes, não querem ser clicadas tão à vontade. E uma DSLR é barulhenta e chama muita atenção. Um cara tímido como eu, apanha. Mas o grande barato de uma normal fixa é que você tem que sair da zona de conforto. Compor com ela não é tão fácil quanto com uma Grande Angular e, tão pouco se achata planos quanto numa tele, que, por sinal, seria muito conveniente num ambiente cheio de gente, com a possibilidade de enquadrar as pessoas sem que estas percebam. Você tem que estar perto o suficiente para ser notado e distante o suficiente para organizar tudo no ecran (lembrando que a D70s é uma APSc, com crop de x1.6). Sendo fixa, o zoom fica nas suas pernas e em algumas jogadinhas do corpo. É sempre um bom treino. Teles e zoom formam fotógrafos preguiçosos. Têm sua funcionalidade e importância, mas para os que estão começando, recomendo objetivas fixas, normais, de preferência.

Se quiser ver mais algumas de hoje, clica aqui!

Mas se o CMYK for inevitável…

Um pouco do que é bom saber sobre a conversão do RGB para o CMYK

AS DICAS NESTE POST ESTÃO DESATUALIZADAS. SERVEM COMO CONCEITO, MAS OS VALORES JÁ ENCONTRAM OUTROS PADRÕES MAIS RECENTES DE CONFORMIDADE. EM BREVE ATUALIZAREI. 

É verdade que converter sua fotografia capturada em RGB para CMYK, tarefa indispensável para as impressões em off set, é um trabalho que deve ser confiado a um profissional da área gráfica. E ter tranquilidade de que este profissional está habilitado a fazer isso com toda a expertise necessária seria o melhor dos mundos. Coisa natural e corriqueira de quem tem, envolvidos no processo, bons bureaus e grandes agências e estúdios.

Para uma imagem ser impressa no espaço de cor CMYK ela precisa ser pensada de forma a prever um número razoável de variáveis que, de fato, influem de forma brutal no resultado da sua fotografia no papel: A mecânica do sistema de impressão (off set plana, off set rotativa, rotogravura etc.), a qualidade e o tipo de pigmento utilizado, o equipamento utilizado, o ajuste feito neste equipamento feito pelo impressor (que tem de levar em conta todos os elementos que compõe uma lâmina de lay out, como texto, outras fotos, imagens e ainda sua visão pessoal) e, fundamentalmente, o papel suporte para a impressão. Digo que o papel é fundamental porque é aquilo que melhor se pode controlar na hora de fazer a conversão de um arquivo digital RGB para CMYK usando o perfil de cor mais adequado em seu software.

Mas aonde o bicho pega é no fato de que nem sempre você está entregando o seu trabalho para uma empresa com funcionários realmente qualificados para isso. Pequenas (e algumas médias) agências nem sempre investem em treinamento ou contratam profissionais experientes (sim, existem lugares onde se faz a conversão para CMYK dentro de um arquivo CorelDRAW!!!), e o resultado de uma foto convertida com o perfil errado pode ser desastroso. Outra coisa importante, é que o processo de conversão sempre provoca alteração na imagem por causa de suas características e eu, particularmente, gosto de ter controle sobre isso e poder intervir conforme meu gosto. Nem que seja para supervisionar.

Cada tipo de papel tem um comportamento quanto à absorção de pigmento, o que é chamado de ganho de ponto. A grosso modo, podemos facilmente compreender que, levando em conta que a impressão off set é feita pela combinação dos “pontos” de ciano, magenta, amarelo e preto, há de se convir que quanto mais absorvente for o papel maior será o diâmetro desse ponto, pois a tinta será “chupada” pelas fibras do papel, bem como, com a absorção, o pigmento perde o poder de cobertura tornando as cores mais lavadas. Papéis com revestimento, e de pouca absorção se comportam da forma exatamente contrária, com pontos finos e precisos bem como cores vivas e consistentes, mas não se iluda, nunca serão iguais ao seu RGB.

Utilizando no Photoshop o perfil de cores adequado a um tipo de papel, você vai ver na tela a simulação do resultado naquele papel e poderá assim, fazer os ajustes necessários para corrigir ou amenizar perdas, invasões e alterações de tom. Podemos inclusive embutir este perfil na imagem, que irá carregá-lo toda a vez que a imagem abrir.

Estou fazendo toda essa introdução, para explicar porque o melhor é confiar esse trabalho a um profissional habilitado, pois não é simples e requer um bocado de conhecimento. Tanto, que o ideal é sempre que a gráfica, ou o bureau que atende à grafica forneça o arquivo do seu perfil de gerenciamento de cor, que deve ser carregado no Photoshop e outros programas de editoração e fechamento de arquivo com toda a configuração necessária ao equipamento de impressão e sua utilização. Mas se nada disso for possível e fazer VOCÊ a conversão for inevitável, segue abaixo algumas configurações bem GENÉRICAS, que uso na maioria dos trabalhos, que costumam dar resultados aceitáveis nas situações mais comuns. São sugestões minhas e não se tratam de um ajuste fino. São informações do tipo “melhor que nada”, pois não vou aqui ensinar ninguém a calcular e configurar a saida em cima de todas as variáveis possíveis (mesmo porque eu não sei). O valores abaixo foram obtidos com informações de várias pessoas e literaturas e muito empirísmo por parte da equipe do departamento de arte da agência onde trabalho. Não são postulados científicos.

Vou passar a configuração de três perfis básicos: Para papel JORNAL (altamente absorvente), OFF SET (sulfite, alto-alvura e etc. bastante absorventes) e COUCHE (papel com cobertura, pouco absorvente). Você vai ver que a aparência da imagem piora muito nos papeis mais absorventes, com invasões de magenta e preto, bem como a perda de detalhes e intensidade de cores. Não há o que fazer além de procurar compensar nos ajustes do PS. Nenhuma imagem CMYK impressa em off set vai ter a mesma quantidade de cores nem tons que um RGB na tela de um monitor ou mesmo uma impressão digital ou ampliação em espaço RGB. Mas o objetivo é evitar resultados abaixo de um padrão de qualidade esperado.

Então, antes de converter a imagem para CMYK é preciso definir o perfil de acordo com o tipo de pigmento mais comum usado no Brasil e o papel escolhido:

Perfil para impressão em papel Couche

Em Edit>Color Settings selecione Custom no Working Spaces>CMYK
Em Ink Colors>Ink Options, selecione Eurostandart (coated)
Em Dot Gain, selecione Curves
Verifique que deve haver uma curva embarrigada, como na figura. Os médios (50%) no Cyan devem estar acrescidos de algo em torno de 13%, marcando a correção para 63%. Magenta, Yellow e Black devem estar marcando 59% cada um.

Ok no Dot Gain Curves e no Custom CMYK, ajuste o Dot Gain no Working Spaces para 10% tanto para o Gray quanto para o Spot. No Advanced Controls deixe selecionado o Desaturate Monitor Color By em 5% para couche. Vai então poder ver (e até se assustar) com a perda que a imagem sofre no processo de impressão.

Então salve esse perfil, para usá-lo quando necessário. Pode chamar de Couche, pra ficar bem fácil e não confundir com os outros que já existem.

Perfil para impressão em papel off set e jornal

Repita o procedimento Custom CMYK selecionando agora, primeiro o Euroscale (uncoated) para salvar um perfil de papel off set e Euroscale (newsprint) para jornal. No Dot Gain Curves do primeiro os médios devem estar em C: 69% M:65% Y:65% B:65% e no perfil para jornal C:83% M:80% Y:80% B:80%

O Dot Gain no Working Spaces para o papel off set pode ser 15% para Gray e Spot, e para o jornal use 25% em ambos também. Não esqueça de salvar cada um dos perfis na pastinha settings e eles poderão ser utilizados em outros programas Adobe da mesma forma. No Advanced Controls deixe selecionado o Desaturate Monitor Color By em 15% para o off set e 25% para o jornal.

Original em sRGB
Simulação de CMYK para couche
Simulação de CMYK para off set
Simulação de CMYK para jornal

Note a mudança no poder de cobertura da cor bem como a perda na suavidade na passagem dos tons, principalmente nas sombras.

Corrigindo a imagem

Com o perfil criado e definido no Color Settings, abra sua imagem pronta em RGB e utilize o View>Proof Colors (control ou command+Y) para simular no monitor a imagem convertida em CMYK (ela continuará em RGB). Você vai ver uma grande perda de contrastes, tons e vivacidade de cor, além de algumas possíveis invasões. Então procure fazer as correções usando os recursos do Photoshop que preferir. Como disse antes, não vai voltar a ter o aspecto do RGB. Quando estiver satisfeito, converta definitvamente a imagem em CMYK e carregue o perfil. Não tente mudar o perfil depois de convertida, faça-o sempre a partir do RGB.

Carregue o perfil para a imagem:

Edit>Assign Profile e selecione Working CMYK

Possíveis consequências do uso de perfis trocados

Simulação do que pode acontecer no caso de uma imagem com perfil para papel couche impressa em papel jornal. Veja que o jornal absorve muito pigmento preto, provocando muita invasão.
Simulação do que pode acontecer no caso de uma imagem com perfil para papel jornal impressa em papel couche. Pela mesma questão da invasão de preto, veja como o perfil para jornal retirou a carga desta cor, que faz falta no couche.

Espero ter ajudado, e fica aqui aberto o espaço para quem quiser acrescentar mais informações ou mesmo corrigir alguma passagem neste post.

SEMPRE PEÇA PROVAS E COMPARE COM SEU MONITOR. PROCURE TER UM MONITOR CALIBRADO.

Prioridade e clichês

©Marcelo dos Santos

Montanhas refletidas num lago na Canadá, gatinhos fofinhos, por do sol com silhoueta e reflexo na água, ok, ok. Esta minha das gaivotas é mais um clichê. Eu ainda não consigo resistir a algumas imagens, mesmo que elas signifiquem apenas alguma diversão e terminem numa pasta chamada “coisasminhas”. É a tal foto pronta, em que meu trabalho se resume a capturar corretamente.

Mas vou usá-la de exemplo para responder uma pergunta que alguns iniciantes e amigos (e amigos iniciantes) já me fizeram: É pra usar o modo Manual em todas as situações?

O modo Manual está em 99% do tempo no meu seletor. Faço questão de decidir como quero dominar a luz e isto faz parte do que quero expressar numa imagem.

Mas esta foto em específico representa um dos casos que considero exceção. É o 1% em que utilizo algum modo de Prioridade (mas nunca o Automático total). Usar uma prioridade significa escolher uma determinada abertura ou uma determinada velocidade e deixar que a camera acerte a velocidade ou a abertura consequente para uma exposição considerada tecnicamente “ideal”. Ou seja, dou prioridade para um item de setup. Acho isso fundamentalmente útil quando as condições de luz num ambiente variam repentinamente. É caso comum na reportagem fotográfica. Respondo por mim, mas vejo ser inevitável usar Prioridade em shows e espetáculos com muita variação de iluminação, em alguns casos de fotojornalismo em que a ação está em andamento, como uma manifestação ou uma prática esportiva em que você não sabe onde acontecerá alguma coisa e se será na sombra ou na luz e etc. Ou seja, onde há imprevisibilidade e urgência. Onde não há tempo para pensar e reconfigurar.

Então eu perseguia estes dois pássaros disputando o pescado, voando em zig e zag, hora compondo com o sol, hora compondo com o céu aberto, hora na sombra do morro, hora o reflexo na água. A última coisa que eu queria ficar observando era o display do fotômetro embutido.

Com assunto em movimento, segurando uma Sigma 70-300 F4-5.6 APO-M DG (objetiva pesadinha, que tem uma ótica honesta, mas um foco absurdamente lento para esse tipo de fotografia) sem dúvida optei pela prioridade na velocidade. Travei em 1/500, pois queria congelar tudo e ter firmeza movimentando a objetiva. Fiz compensação de -1 EV, pois faz parte da minha marca pessoal fotometrar mais para as altas luzes, definindo sombras e as vezes até estourando nas zonas mais escuras. Depois de algumas tentativas, consegui essa, que considerei a melhor.

Como acertei o foco com a lenta Sigma, eu mesmo não sei responder. Crédito pra sorte!

A tempo: Coincidentemente o Pepe Mélega comentou sobre os clichês irresistíveis em seu blog na mesma data deste post. Vale conferir seu ótimo texto!






Aula 4

Composição

O mais importante ao se conhecer certas regras na hora de compor uma cena é ter em mente que nenhuma delas é absoluta e não pode ser quebrada. Afinal, o que valoriza uma imagem é a criatividade com a qual os elementos nela foram exibidos e combinados. Por isso mesmo, nunca haverá uma “receita” pronta para as mais diversas situações. Mas alguns “conselhos” devem ser sempre observados e, se dispensados, deve ser de forma claramente proposital e consciente para dar sentido ao que se objetiva criar numa foto.

Planos

É preciso estar atento ao fato que a fotografia registra imagens tridimensionais em meios bidimensionais. Ou seja, há uma fusão visual e sensorial de planos se não se tomar alguns cuidados. Também, sendo a fotografia um registro estático de um instante que é dinâmico podemos utilizar do bom arranjo dos planos como um dos elementos que ajudam a aplicar um dinamismo ao registro.

O Primeiro Plano

O primeiro plano pode funcionar como uma espécie de condutor de uma cena. Por isso devemos lembrar que nem sempre deve-se dar um destaque demasiado ao primeiro plano, a não ser que nada mais nos outros planos seja tão ou mais importante. Desta forma, também o primeiro plano deverá ser o assunto predominante na área registrada. É o caso de retratos, por exemplo.

 

Retrato
Retrato

 Mas sempre se deve ter em mente que uma fotografia pode contar uma história, e a ordem com que os planos se apresentam podem criar uma “linha do tempo” para a compreensão da imagem estática.

Primeiro plano em destaque como elemento da ação, conduzindo a um segundo plano em segundo tempo para a compreensão da ação.
Primeiro plano em destaque como elemento da ação, conduzindo a um segundo plano em segundo tempo para a compreensão da ação.

 

Mas muitas vezes o primeiro plano, longe de ter um elemento de destaque, é apenas algo que inicia a observação e indica, através de objetos, ações ou linhas imaginárias a direção que o olhar do expectador deve seguir. Nestes casos, não há necessidade de que este plano esteja plenamente nítido e focado. Muitas vezes a falta de nitidez valoriza o plano principal.

Linhas imaginárias partem do primeiro plano conduzindo ao que realmente é importante nas imagens.
Linhas imaginárias partem do primeiro plano conduzindo ao que realmente é importante nas imagens.

 

O mesmo pode ser conseguido através de ações no primeiro plano que levam ao plano principal, valorizado pela iluminação (fortaleza) e/ou pela nitidez (noiva).
O mesmo pode ser conseguido através de ações no primeiro plano que levam ao plano principal, valorizado pela iluminação (fortaleza) e/ou pela nitidez (noiva).

 

Moldura

Também com a intenção de valorizar e situar o assunto principal, além de ser um recurso plástico, é utilizar-se de elementos que emoldurem a imagem no primeiro plano. Neste caso também não há necessidade de grande nitidez destes, e muitas vezes nem é desejado.

 

Primeiro plano como moldura. Note, na segunda foto como a moldura também serve para preencher um espaço desinteressante (no caso, o céu).
Primeiro plano como moldura. Note, na segunda foto como a moldura também serve para preencher um espaço desinteressante (no caso, o céu).

 

O Fundo

Normalmente esquecido pelo iniciante, o fundo é de vital importância para a compreensão, para a beleza plástica de uma imagem e para se situar o elemento principal dela. Por isso, há que se cuidar para que este não seja conflitante em suas cores, tons e luminosidade e tão pouco que seja conflitante por sua complexidade. É importante saber escolher o melhor posicionamento e os melhores recursos técnicos para isolar o que é importante diante do que está ao fundo. Veja os principais enganos e soluções possíveis:

 

A asa-delta, objeto principal em primeiro plano, ficou sem destaque por causa de um fundo conflitante (a praia). Entre as soluções possiveis haveria a possibilidade de desfocar o fundo com uma grande abertura ou simplesmente esperar que a asa estivesse sobre um plano mais claro e menos confuso, como o mar ou o céu.
A asa-delta, objeto principal em primeiro plano, ficou sem destaque por causa de um fundo conflitante (a praia). Entre as soluções possíveis haveria a possibilidade de desfocar o fundo com uma grande abertura ou simplesmente esperar que a asa estivesse sobre um plano mais claro e menos confuso, como o mar ou o céu.
Quando a intenção era registrar o pier deitado sobre a lâmina d’água, não se atentou para o fundo com a mesma luminosidade e tons parecidos, o resultado é uma imagem confusa.
Quando a intenção era registrar o pier deitado sobre a lâmina d’água, não se atentou para o fundo com a mesma luminosidade e tons parecidos, o resultado é uma imagem confusa.
 
Há também casos em que o fundo é mais claro ou luminoso que o assunto principal, desviando a atenção do que realmente é importante. Seria melhor reenquadrar a cena de modo a não ter tal contraste. Ou ainda, fotografar com a ajuda de um flash.
Há também casos em que o fundo é mais claro ou luminoso que o assunto principal, desviando a atenção do que realmente é importante. Seria melhor reenquadrar a cena de modo a não ter tal contraste. Ou ainda, fotografar com a ajuda de um flash.

 

A Regra dos Terços

A forma como os elementos estão dispostos numa cena pode significar o sucesso ou fracasso na intenção de um registro. Elementos em diversos planos, adequadamente ajustados podem conduzir a uma leitura da foto com uma seqüência lógica na visualização dos elementos.
Uma imagem com elementos centralizados, como muitos iniciantes pensam ser o correto, é uma cena extremamente estática, sem dinamismo algum. O assunto principal no centro da imagem costuma dispensar o observador de contemplar todo o resto, fixando a atenção naquele único assunto. Evite.

 Exemplo
centralizado

A Regra dos Terços consiste numa técnica para começarmos a praticar a organização dos elementos na cena. Obviamente não é uma regra severa e serve apenas como orientação para uma prática que em pouco tempo se torna intuitiva.
Ao compor a cena, devemos tentar dividir mentalmente a imagem que vemos pelo visor em nove partes iguais com duas linhas verticais paralelas e duas linhas horizontais paralelas. Suas intersecções são chamadas de “Pontos de Ouro”. A idéia é que os elementos fiquem posicionados de forma mais aproximada possível destes “Pontos de Ouro.”, distribuindo-os por terças partes da imagem.

Veja o exemplo abaixo:
A figura humana ocupa o terço direito da imagem, próxima aos pontos de intersecção. A linha do horizonte também está dividindo a imagem em 1 para 2 terços, ou seja: nada centralizado.

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Em movimento

Deixar uma área a frente daquilo que está se movimentando é uma forma de dar dinamismo a cena e promover a imaginação de sua continuidade. Para tal também pode-se utilizar da Regra dos Terços.

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A composição contando histórias

Veja como a posição dos elementos pode indicar uma ação continua: Terá a distinta senhora roubado um “bem-casado” antes da hora e saído furtivamente?

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Horizontes

Não centralizar horizontes também é uma forma de tornar a imagem mais interessante. Valorizando-se o céu, ou o assunto no solo é possível dar dimensões a paisagem, assim como criar linhas de perspectiva que conduzem o olhar.

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horizonte-acima1

 

Encontrando desenhos

Para mim, o momento mais divertido e estimulante de fotografar, depois de brincar com a luz, é, junto com ela, encontrar a geometria da cena e então procurar montar com um conjunto de formas, uma harmonia. Assim como num jogo. Estas formas invisíveis ao expectador, estarão transmitindo ao seu inconsciente sensações das mais diversas através das linhas e blocos criados.

É um exercício subjetivo e que estimula a criatividade.

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Figura humana

Colocar um elemento humano na composição sempre valoriza a imagem, além de funcionar como forma de dar referência às dimensões do ambiente.

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Existem pontos que podem ajudar a tornar a composição intuitiva ao passar do tempo, mas para que isso seja positivo e garanta bons resultados, é imprescindível que alguns hábitos sejam adquiridos:

• Estar sempre atualizando seu “portifólio visual”, observando o trabalho de outros fotógrafos, artistas plásticos, tomadas de cinema e ter o maior contato possível com as artes visuais sempre.

• Procure descondicionar o olhar, tentando enxergar novas formas e imagens diferentes das óbvias na mesma cena, observando sombras, texturas e cores para montar uma imagem mentalmente antes de clicar.

• Procure variar e inovar os ângulos e posicionamentos diferentes.

• Tente encontrar beleza nas coisas banais, procure o que normalmente passa desapercebido e explore muito cada assunto antes de abandoná-lo. Fotos muito interessantes foram obtidas onde a primeira vista não havia nada, nos locais mais inusitados e muitas vezes embaixo do nosso nariz.

Óculos de natação (bem) usado pendurado na torneira do tanque aberta, em minha casa, diante da luz da janela com paisagem ensolarada desfocada ao fundo. • f 5 • Velocidade 1/3200 s • Iso 400 • Dist. Focal 195 mm
Óculos de natação (bem) usado pendurado na torneira do tanque aberta, em minha casa, diante da luz da janela com paisagem ensolarada desfocada ao fundo. • f 5 • Velocidade 1/3200 s • Iso 400 • Dist. Focal 195 mm

Aula 3

Profundidade de Campo

Para alguns, pode ser um problema o fato de haver certas combinações de abertura x velocidade em que a abertura influencie na nitidez de uma imagem como um todo. Cabe ao fotógrafo explorar este recurso para saber utilizar este controle de nitidez e estabelecer o quê e o quanto ele quer que esteja em foco na fotografia.

Primeiro vamos à definição de Distância Focal, que é algo determinante para estabelecer a Profundidade de Campo: É a distância que separa o centro da objetiva, focada no infinito do plano do filme ou sensor. É desta forma que se determina o tipo de objetiva. Uma objetiva 50mm é aquela que tem esses tamanho de Distância Focal, ou seja, essa distância entre o centro da objetiva até o plano do filme ou sensor. Diz-se que o a Distância Focal é de 50mm neste caso.

Profundidade de Campo é a distância máxima entre planos que podem ser considerados focados e assim,  podem ser fotografados com nitidez aceitável, que pode variar de acordo com a abertura do diafragma (que já sabemos o que é) e da tal Distância Focal.
Quando você faz foco em um objeto estarão nítidos objetos  num determinado plano à sua frente e num plano a certa distância ao fundo. Esta é a Profundidade de Campo em relação ao objeto focado. É importante saber que sempre haverá maior Profundidade de Campo em relação ao plano de fundo do que aos objetos à frente.

O que determina maior ou menor Profundidade de Campo são dois fatores:

1. A Distância Focal, pois quanto maior for a distância focal de uma objetiva menor será sua Profundidade de Campo. Ou seja, uma tele de 200mm terá nitidez em menos objetos em diferentes planos. Já uma 35mm terá nitidez em mais planos distantes um do outro.

2. Abertura do Diafragma. Quanto maior a abertura do diafragma, menor será sua Profundidade de Campo. Para se obter nitidez em um grande número de planos é necessária uma pequena abertura (f11, f16, em diante).

Com base nestas informações, podemos nos utilizar da Profundidade de Campo para acrescentar mais este recurso às nossas fotografias.

Grande Profundidade de Campo

Abertura f22, Velocidade 1/90s.
Abertura f22, Velocidade 1/90s. Note como a pequena abertura produziu uma imagem com nitidez em vários planos.
Uma pequena abertura é indispensável quando precisamos clicar arquitetura, paisagens e outros assuntos que envolvem muitos planos importantes para compor a cena.

 

Pequena Profundidade de Campo

 

 

Abertura f4,5, Velocidade 1/3000s. Neste caso apenas o objeto focado ficou nitido. Perceba que o desfoque é mais acentuado na coluna mais a frente do foco e mais gradual ao fundo. Isso pode ser chamado de foco seletivo, muito interessante para dar destaque a um determinado assunto em detrimento dos outros, ou simplesmente tirar a importância de elementos ou fundos indesejados.
Abertura f4,5, Velocidade 1/3000s. Neste caso apenas o objeto focado ficou nítido. Perceba que o desfoque é mais acentuado na coluna mais a frente do foco e mais gradual ao fundo. Isso pode ser chamado de foco seletivo, muito interessante para dar destaque a um determinado assunto em detrimento dos outros, ou simplesmente tirar a importância de elementos ou fundos indesejados.

 

 

Distância Hiperfocal

A utilização da abertura simplesmente para obter Profundidade de Campo nem sempre é a solução ideal, mesmo porque sempre que fechamos a abertura para aumentar os planos em foco perdemos entrada de luz, o que nos obriga a diminuir a velocidade com todas as suas conseqüências.

Mas existe uma maneira de sabermos como achar a Profundidade de Campo de que dispomos com determinada abertura para tirarmos melhor proveito dela. É utilizando a Distância Hiperfocal.

Para tal, é necessário definir o objeto mais próximo que deverá estar nítido, em foco, verificar sua distância aproximada e verificar no anel central da objetiva, entre o foco e a abertura, qual a menor abertura possível e onde posicionar o foco (nem todas as objetivas possuem essa marcação, infelizmente). Este, o foco, deve estar sempre na metade da distância do objeto próximo e a distância deste objeto ao infinito.

hiperfocal1

No exemplo na página anterior, vemos que a abertura mínima para fotografar um objeto a 3m e conseguir uma boa performance em direção ao infinito é f22 e o foco seria em pouco mais de 5m (ou seja, a metade em relação ao infinito segundo a marcação do anel). Note que se objeto estivesse a uns 5m a abertura poderia ser maior (f8), pois a distância mais avançada em relação ao infinito diminuiria a necessidade de uma grande Profundidade de Campo.
E qual a utilidade prática disso? Perceba que no caso de se obter uma Profundidade de Campo muito grande como no caso do objeto a 3m até o infinito é necessário um diafragma fechado, aumentando-se o tempo de exposição para a obtenção da luz necessária. Já no caso do objeto a 5m você terá como saber que pode abrir mais o diafragma para poder aumentar a velocidade. Sem esta informação tenderíamos a usar sempre aberturas pequenas para garantir grandes Profundidades de Campo, arriscando-se a tremidas ou má captura de objetos em movimento com velocidades muito baixas.

Aula 2

Medindo a Luz

 Considerando-se que compreendemos a importância da luz na fotografia, podemos imaginar o quanto é importante medir a QUANTIDADE de luz para sabermos se ela é suficiente para iluminar a cena da forma como pretendemos. E esta é uma das mais importantes ciências que o bom fotógrafo precisa dominar, e, como veremos, nem sempre é um bicho-de-sete-cabeças.

 O dispositivo que se usa na fotografia para medir a intensidade da luz chama-se FOTÔMETRO. E existem basicamente dois tipos de fotômetro: o manual e o embutido. O manual, que é capaz de medir tanto a luz incidente quanto a refletida, é mais usado profissionalmente. É ideal para quando queremos medir as diferentes intensidades da luz em áreas diversas de uma mesma cena. Mas não será assunto de nosso estudo neste nível.

Vamos trabalhar falando apenas da leitura do fotômetro embutido na máquina fotográfica, que apenas nos dá a leitura da luz refletida pelos objetos da cena.

 A forma pela qual recebemos a informação da leitura que é feita pelo fotômetro, varia de modelo para modelo de câmera. Pode ser uma agulha indicando valores (mais comumente da escala do obturador) ou apenas uma posição onde a luz se encontra no ideal, podem ser “leds indicando se há luz “de mais”, “de menos” ou ideal, assim como uma escala linear indicando a quantos pontos de luz do ideal encontra-se a iluminação daquela cena. Para identificar o seu, é preciso que leia o manual de sua câmera.

 Fornecendo a informação correta

 Sub-exposição: quando a entrada de luz é abaixo da ideal, tornando a cena ou objeto de interesse escuro

Super-exposição: quando a entrada de luz é acima da ideal, tornando a cena ou objeto de interesse muito claros

 O Fotômetro que as reflex trazem embutido faz a leitura da luz através da lente quando fazemos uma pequena pressão no botão disparador, e, na maioria dos casos, a leitura é da média de intensidade de luz de uma mesma cena. É uma leitura que funciona na maioria dos casos corriqueiros, mas de certa forma, enganosa, pois cada cena tem uma característica diferente, bem como podemos pretender resultados diferentes.

Mas sendo assim, podemos nos aproximar do ponto no qual queremos ter uma leitura mais correta, de acordo com nosso interesse, fazendo com que aquela área predomine na área do visor, onde o fotômetro faz a leitura, obtendo assim, valores para captar mais corretamente a luz refletida naquela área.

Lembre-se de que, a partir do momento em que se tem uma informação do fotômetro sobre a luz da cena, vamos precisar combinar a velocidade do obturador com a abertura do diafragma para obter uma entrada de luz que o fotômetro demonstre ser a ideal. E a melhor maneira de fazer isso é “eleger” o que nos vai ser prioritário: velocidade ou abertura. Temos de interpretar nossa intenção e a situação para saber se é mais importante ter um disparo rápido para congelar a cena ou um disparo lento para obter efeitos de movimento, uma profundidade de campo grande para focar vários planos ou uma profundidade de campo pequena para fazer foco seletivo. Se escolhermos uma velocidade específica, vamos usar a abertura que o fotômetro nos indique como ideal. Mas se escolhermos uma abertura, teremos de “regular” a velocidade para atingir o mesmo resultado.

 No exemplo a seguir, vemos uma foto externa onde o céu está muito iluminado (altas-luzes) e árvores e arquitetura local refletindo uma quantidade de luz muito menor (sombras). Então, este é o caso onde podemos escolher se queremos ver bem iluminada a arquitetura e árvores ou o bonito céu azul. Note que precisamos fazer esta escolha porque os filmes e sensores não têm a mesma capacidade de “ler” luminosidades muito diferentes como tem o olho humano.

 

Fotometrando pela sombra e regulando abertura e velocidade para que a luz seja ideal, teremos uma boa visão dos elementos mais escuros, mas o céu, nas altas-luzes vai “estourar”, ou seja, super-expor.
Fotometrando pela sombra e regulando abertura e velocidade para que a luz seja ideal, teremos uma boa visão dos elementos mais escuros, mas o céu, nas altas-luzes vai “estourar”, ou seja, super-expor.
 
Então esta seria uma solução para o caso de nosso assunto de interesse fosse a igreja em meio às árvores.
Então esta seria uma solução para o caso de nosso assunto de interesse fosse a igreja em meio às árvores.

 

Fotometrando pelas altas-luzes e regulando a abertura e velocidade para que a luz seja ideal ali, teremos um bom destaque para a bonita cor do céu, mas estourariamos as sombras, sub-expondo-as e tornando apenas a silhueta visivel.
Fotometrando pelas altas-luzes e regulando a abertura e velocidade para que a luz seja ideal ali, teremos um bom destaque para a bonita cor do céu, mas estouraríamos as sombras, sub-expondo-as e tornando apenas a silhueta visível.
Então esta seria uma boa solução se o interesse fosse valorizar o azul do céu e criar uma cena onde os objetos em primeiro plano se destacassem por sua silhueta no “contra-luz”.
Então esta seria uma boa solução se o interesse fosse valorizar o azul do céu e criar uma cena onde os objetos em primeiro plano se destacassem por sua silhueta no “contra-luz”.
Se tomando os valores das duas leituras, levando-se em consideração uma velocidade fixa, por exemplo (poderia ser a abertura fixa) e utilizando uma abertura que seja a média das duas sugeridas pelo fotômetro, desde que não superior a 2 ou 3 pontos (o que vai variar de acordo com o filme ou se for sistema digital, que têm amplitudes diferentes), poderemos chegar a uma imagem com razoável visualização dos dois assuntos de interesse. Mas note que a média significa que nenhum dos dois está no ideal.
Se tomando os valores das duas leituras, levando-se em consideração uma velocidade fixa, por exemplo (poderia ser a abertura fixa) e utilizando uma abertura que seja a média das duas sugeridas pelo fotômetro, desde que não superior a 2 ou 3 pontos (o que vai variar de acordo com o filme ou se for sistema digital, que têm amplitudes diferentes), poderemos chegar a uma imagem com razoável visualização dos dois assuntos de interesse. Mas note que a média significa que nenhum dos dois está no ideal.

fotometria-03

 

Alguns cuidados

É comum haver erros de fotometria em função da cor dos objetos da cena. Por exemplo: uma imagem que contenha algum elemento em branco predominando, um vestido de noiva, uma toalha de mesa, pode fazer com que o fotômetro interprete que todo aquele branco seja excesso de luz, e mande uma informação de que o diafragma deve ser fechado ou a velocidade do obturador aumentada. O que vai ocorrer, é que a cena ficará escura, e um assunto de maior relevância (o rosto da noiva, por exemplo) ficar sub-exposto. E o contrário também é possível, se houver um objeto de cor escura informando, erroneamente, ao fotômetro que há pouca luz.

Veja neste exemplo como a grande área branca da toalha de mesa induziu o fotógrafo a fechar a abertura pela leitura do fotômetro. Note que toda a cena ficou com grandes sombras.
Veja neste exemplo como a grande área branca da toalha de mesa induziu o fotógrafo a fechar a abertura pela leitura do fotômetro. Note que toda a cena ficou com grandes sombras.

Para corrigir isso, o fotógrafo precisa usar da compensação, que é um dispositivo presente na maioria das câmeras reflex. Quando a imagem tem objetos muito claros que podem provocar sub-exposição faz-se a compensação positiva, acrescentando + 1 ou + 2 pontos. No caso de objetos escuros compensa-se diminuindo pontos. Mas isto também pode ser feito no obturador ou diafragma acrescentando ou diminuindo pontos na leitura sugerida pelo fotômetro, ou ainda, o método que particularmente me parece mais seguro: aproxime-se do que considera objeto de interesse, ou simplesmente faça a leitura enquadrando-o na maior parte do visor e siga aquela fotometria, voltando depois para o enquadramento pretendido.

 

Era necessário mostrar o fundo, com as pessoas e o ambiente onde haveria uma festa. Então, como a toalha da mesa provocava uma sub-exposição, foi feita a leitura do fundo e depois feito o re-enquadramento, o que resultou 1 ½  ponto a menos de velocidade com a mesma abertura.
Veja o caso da mesa: Era necessário mostrar o fundo, com as pessoas e o ambiente onde haveria uma festa. Então, como a toalha da mesa provocava uma sub-exposição, foi feita a leitura do fundo e depois feito o re-enquadramento, o que resultou 1 ½ ponto a menos de velocidade com a mesma abertura.

 

O importante é o fotógrafo ter em mente que fotometrar é um processo mecânico, mas escolher como configurar o equipamento (velocidade e abertura) deve ser um processo criativo e, principalmente, de observação e experiência. Afinal, se apenas seguirmos o que indica a leitura média do fotômetro e obedecer a risca sua recomendação, estaremos fazendo o que qualquer equipamento no modo automático faz. E uma das coisas que diferenciam o fotógrafo é justamente a interpretação pessoal da luz.

 

Leitura geral da cena com interpretação do fotômetro pela média.
Leitura geral da cena com interpretação do fotômetro pela média.
A mesma cena com a fotometria feita pelos valores das altas-luzes apenas.
A mesma cena com a fotometria feita pelos valores das altas-luzes apenas.
A solução encontrada pelo fotógrafo foi optar pela fotometria nas altas-luzes, porém refazendo o enquadramento, de forma que a composição evidencie o assunto principal, mas sem perder a ambiência e o efeito das sombras, que agora emolduram a cena.
A solução encontrada pelo fotógrafo foi optar pela fotometria nas altas-luzes, porém refazendo o enquadramento, de forma que a composição evidencie o assunto principal, mas sem perder a ambiência e o efeito das sombras, que agora emolduram a cena.

 

MÃO NA MASSA:

 

  1. Considerando-se que você já leu o manual de sua câmera e sabe como fazer a leitura do fotômetro, vamos fazer um pequeno exercício sem disparar uma única foto: Este exercício embora deva ser feito dentro de casa, deverá ser feito de dia. Se a câmera estiver sem filme, ou se for digital, ajuste o ISO para 200 e deixa-a no modo manual.
    Se posicione de frente para uma janela comum, que não seja uma parede envidraçada, ou seja, que tenha áreas de parede em seu entorno. Agora, como está a uma distância fixa e seu objeto de interesse é uma “parede com janela”, que estão no mesmo plano, vamos escolher a abertura f 4, que é grande e indicada para nosso caso de um ambiente fechado, pois deixa passar razoável quantidade de luz, embora não nos dê profundidade de campo (o que neste caso não é necessário). Agora, sem sair do lugar, mas direcionando a câmera para a janela aberta e para a parede que a sustenta, anote os valores de velocidade que o fotômetro vai considerar ideal.
    Agora façamos o contrário: escolha a velocidade que o fotômetro lhe indicou quando mediu as sombras (a parede) e tome nota da abertura, também apontado para a janela aberta e para a parede. Tente perceber a proporção que ocorrerá entre os valores.
    Depois faça o mesmo exercício em diversas partes da casa e em diferentes condições de luz. Habitue-se a encontrar as condições ideais de luz e familiarize-se com os controles de obturador e diafragma e as diferentes combinações entre abertura e velocidade. Como estamos segurando a câmera na mão, jamais baixe a velocidade para menos de 1/30s.

 

  1. Agora, comece a praticar. Saia a campo e procure fotografar cenas com sombras e altas-luzes. Fotografe 2 ou 3 vezes a mesma cena com leituras diferentes. Anote tudo, e faça comparações depois. Se for ampliar as fotos em laboratório, não esqueça de pedir sempre: Ampliações SEM CORREÇÃO (só assim você saberá exatamente se está acertando na hora de fazer a fotometria).