Aula 1

Luz é Tudo

A exceção do foco e dos sistemas de alimentação da máquina (baterias, filmes, cartões), praticamente todas as funções influenciam na quantidade de luz que chega até o filme ou sensor. E isto não é para menos: sem remeter a velha e boa lembrança de que FOTOGRAFIA é “grafar com a luz”, o seu domínio é o conhecimento mais importante e a técnica mais fundamental na fotografia, pois ela é essência ou a matéria-prima da captura de uma imagem.

A luz é definida pela qualidade e pela quantidade, sendo a primeira definida pela escolha do momento, da posição e da direção adequada e a segunda, por todos estes fatores e, ainda, pela operação do equipamento.

Qualidade da Luz

Altas-luzes: área sob influencia direta da fonte de luz

Sombras: área sem influencia direta da fonte de luz

Em um estúdio fotográfico, podemos criar luz de qualidade de acordo com a intenção e o assunto a ser registrado, pois nele temos a disposição equipamentos que nos permitem o total controle na hora de iluminar uma cena sem qualquer influencia externa. Mas fora do estúdio, e é desta situação que vamos tratar neste curso, temos total influencia do horário, do clima e da nossa localização em relação à fonte de luz.

A luz pode ser suave, com sombras tênues que criam limites e volumes delicados nas formas. É o caso por exemplo da luz de um dia nublado, ou de uma luz indireta entrando por uma janela. Também pode ser dura, com sombras escuras e altas-luzes muito intensas. É o caso de um dia de sol, ao meio-dia, por exemplo.

Luz suave
Luz suave

Luz dura
Luz dura

Quantidade de Luz

Obturador: Dispositivo que regula o tempo de exposição do filme ou sensor à luz

Diafragma: Dispositivo que controla o tamanho da passagem da luz que chegará até o filme ou sensor.

A operação de diversas funções no equipamento fotográfico, tem o objetivo de captar a quantidade de luz suficiente para que a reflexão da mesma sobre o assunto seja suficiente para impressionar o filme ou sensor adequadamente. Então esta será nossa preocupação primeira: ter luz suficiente.

No corpo da câmera fotográfica teremos dois controles que influenciarão diretamente na quantidade da luz, e um terceiro, indireto nas máquinas analógicas pois depende do tipo de filme utilizado que é o seletor de ISO (ou ASA). Os outros dois são o Controle do Obturador e o Controle de Diafragma.

Controle do Obturador.

A escala de tempo em segundos:

8,4,2,1,1/2,1/4,1/8,1/15,1/30,1/60,1/125,1/250,1/500,1/1000,1/2000,1/4000 segundo

Se nossa preocupação é a quantidade de luz que chegará até o filme ou sensor, e sabendo que o clique no botão disparador expõe um desses elementos à luz por um breve espaço de tempo, podemos concluir que quanto maior for esse tempo, maior quantidade de luz chega ao seu destino. E é esse espaço de tempo que vamos determinar no Controle do Obturador.

Seria simples obter quantidade de luz suficiente, deixando o obturador aberto captando a luz necessária. Mas apenas se estivermos clicando uma imagem de um assunto completamente estático e com equipamento apoiado em superfície ou suporte fixo, sem qualquer possibilidade de deslocamento por menor que seja. O que chamaremos de “baixa velocidade” ao mesmo tempo que pode ser uma solução para a obtenção de luz pode ser um problema para a definição e nitidez da imagem, e, em alguns casos, um efeito. É necessário levar-se em conta que se capturamos uma fração de segundo de luz, capturaremos todo movimento do assunto ou do equipamento neste mesmo período. Ou seja, se por exemplo, usássemos uma baixa velocidade, como ½ segundo de abertura do obturador, para registrar uma criança andando de bicicleta, capturaremos toda distância percorrida por esta bicicleta, bem como, se não estivermos com equipamento em um suporte (um tripé, por exemplo), nossa própria oscilação anatômica e de movimentos faria a imagem sair “tremida”.

Controle do obturador
Controle do obturador

Controle do obturador de maquina analógica manual. Neste modelo as divisões de tempo vão de 1/4000 segundos até 8 segundos. É possível também usar o modo B (bulb), no qual o obturador ficará aberto o tempo em que o botão disparador estiver pressionado. Observe que os números em branco são frações de segundo, e em laranja, iguais ou maiores que 1 segundo, e que cada valor é o dobro de tempo de seu anterior e metade de seu posterior indo da alta para a baixa velocidade.

Equipamentos mais modernos têm um maior fracionamento das opções de tempo de abertura. Mas é importante memorizar estes valores utilizados nas máquinas manuais (8, 4, 2, 1, 1/2, 1/4, 1/8, 1/15, 1/30, 1/60, 1/125, 1/250, 1/500, 1/1000, 1/2000, 1/4000 e etc…). A cada valor que dobra o tempo de exposição, dobra-se a quantidade de luz que entra pela objetiva. A cada passo nesta escala chamamos de PONTO DE LUZ. Por exemplo: 1/500 é dois pontos de luz abaixo de 1/125 , porque deixará entrar 1/4 de luz a menos. Este conceito será empregado em todos os dispositivos que controlam a entrada de luz, como veremos adiante.

Baixas e Altas Velocidades

A definição do que é baixa ou do que é alta velocidade é relativa, e depende do assunto a ser fotografado e do resultado desejado. Mas é senso comum de que abaixo de algumas velocidades é impossível segurar o equipamento sem tremer. Mas este limite depende da firmeza de cada um, do peso do equipamento e do tamanho da objetiva (que influencia no equilíbrio do equipamento), além de outros fatores circunstanciais, como cansaço, alimentação, estado emocional, vento e até o batimento cardíaco). Podemos dizer que, de um modo geral, abaixo de 1/60s é preciso estar ciente de que há algum risco. Mas como foi destacado, isto não é regra e depende de diversos fatores que o tempo e a prática vão definir.

Exemplos do uso da velocidade

Alta Velocidade, cena congelada
Alta Velocidade, cena congelada
Baixa Velocidade, movimento da água borrado
Baixa Velocidade, movimento da água borrado

Controle do Diafragma

Profundidade de Campo: Limite de distância entre diferentes planos que permite aos mesmos permanecerem com foco e nitidez.

Este é o modo pelo qual controlaremos a quantidade de luz pelo tamanho da abertura por onde a mesma vai passar. Também há uma escala numérica, onde os valores são precedidos pela letra “f” (por convenção internacional) em que os valores mais altos significam aberturas menores e os mais baixos, aberturas maiores. Convencionaremos que a definição de maior ou menor será referente ao resultado e não ao valor numérico, ou seja, um número pequeno será uma abertura maior, ou grande e um número elevado uma abertura menor, ou pequena. Veja a escala a seguir:

Abertura maior Abertura menor

f 1.8, f 2.8, f 4, f 5.6, f 8, f 11, f 16, f 22

Também é a escala encontrada nas objetivas de equipamentos manuais, ou mais antigos. Como no caso do controle do obturador, é interessante sua memorização, pois cada passo representa também UM PONTO DE LUZ. Assim sendo, f 4 representa 3 pontos de luz a mais que f 11, por exemplo. Nos equipamentos mais modernos estes valores são fracionados de meio em meio ponto, ou de terço em terço de ponto.

Controle do diafragma em uma objetiva de abertura máxima f 1.8 e minima f 22.
Controle do diafragma em uma objetiva de abertura máxima f 1.8 e mínima f 22.

Mas como na questão da velocidade existe conseqüência quando se procura obter mais luz abaixando a velocidade, no caso do diafragma também há significativa alteração no resultado da foto de acordo com a abertura. Quanto menor a abertura, maior será a Profundidade de Campo, ou seja, será possível ter mais elementos em diferentes planos bem focados, mas menor será a quantidade de luz, exigindo mais tempo de exposição. E quanto maior a abertura, menor será a Profundidade de Campo e uma distância menor será tolerada para vários planos estarem bem focados, mas menor poderá ser o tempo de exposição.

Para se ter uma idéia, imagine que com uma abertura bem pequena, como f 16 ou f 22, é possível ter foco desde o limite mínimo do ponto de foco mais próximo da objetiva até o infinito. E usando algo em torno de f 1.8, ao se focar os olhos de uma pessoa, pode-se ter fora de foco suas orelhas.

Exemplos do uso da abertura:

Grande Abertura, pequena profundidade de campo (poucos  planos focados) e mais luminosidade
Grande Abertura, pequena profundidade de campo (poucos planos focados) e mais luminosidade
Pequena Abertura, grande profundidade de campo (mais planos focados) e menos luminosidade
Pequena Abertura, grande profundidade de campo (mais planos focados) e menos luminosidade