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Tenho sempre pra mim, que a imagem tem um destino. Como elemento de comunicação, de tudo o que se exibe para um público se espera reação. Deve carregar e entregar alguma coisa. Cabe a quem produz, quem emite, saber orientar as diferentes reações, mesmo que a mensagem não chegue exatamente como foi emitida. Mas até esse ruído no envio deve ser previsto. Ok, esse é o fundamento da comunicação. Mas às vezes é esquecido.

Ocorre, infelizmente, de muitos de nós, emissores, no caso, fotógrafos, assim como outros produtores de conteúdo, submergir no universo que contém os iguais, os mesmos produtores, e esquecer que a mensagem precisa chegar a quem “não ensaiou a jogada”: o público. E cabe infinita discussões sobre quem é o público a ser atingido, e isto me parece mais uma escolha individual ou da  capacidade de atingir o “destinitário” pretendido. Mas certamente é a hora em que o que se carrega na bagagem faz-se mais importante. Saber, e administrar o saber, vai fazer a diferença.

Ocorre que acabamos nos envolvendo com o método, com as ferramentas, com as posturas, com a normatização, com as regras, com o comportamento “ideal” e também com linguagem, conhecimento e as referências. Sim, os últimos são fundamentalmente importantes. Mas tudo isso não tem significado se não transformar-se em algo que seja relevante pra alguém de fato, se não for “entregue”. Se alguém que não está no contexto, que não sabe sobre o método, que não faz a mínima idéia do que fez aquela imagem ficar tão interessante não reagir diante de suas fotografias, algo pode estar muito errado com elas. Sorrisos, indignação, incômodo, lembranças, desejos, um instante mínimo de pausa diante do que vê. Essa é a finalidade de tudo! Afinal, para quem fotografamos?

Ter como carga imensos recursos, tanto materiais como intelectuais, para produzir e não levar a um destino, esquecendo de fazer o elo entre o método e o resultado, é o maior fracasso e a maior frustração de quem se perde num inútil discurso egocêntrico e vaidoso do processo. Sua fotografia, como representativa, tem função, tem destino. Você tem que pensar é em como levá-la até lá.