Universos

Cada atividade, em sua diária guerra pelo espaço, pelo reconhecimento, pela aceitação, pela manutenção, pela ascenção, ou até mesmo pela auto confiança, cria muros dentro dos quais separamos a realidade que nos interessa. Quando nos tornamos obsecados por fazer o melhor e ter a certeza de que isto é o que vai nos alimentar o ego e as finanças tratamos de deixar a importância que afeta a outros do lado de fora. Cria-se um universo particular, onde somente seus habitantes, todos envolvidos no mesmo assunto, parecem entender do que “importa”.

Claro, que o exemplo aqui são fotógrafos, que muitas vezes são incapazes de perceber o quanto alguns discursos são enfadonhos para a vida prática, para o seu cliente, para os seus amigos, para a pessoa que está imediatamente sentada ao seu lado. Mas é comum em todas as áreas de atividade profissional ou não. Perde-se tempo incomensurável, sobre como se deve amarrar os sapatos, numa vida tão curta.

Nada mais eficaz para diluir angústias, enxergar sua própria realidade, sua própria importância, entender melhor seu papel e de seu trabalho do que sair de dentro desse universo, derrubar os muros, levantar a cabeça e olhar tudo em volta, e assim poder encontrar meios e caminhos que realmente façam seu trabalho relevante ao “mundo exterior”. Isso pode nos tornar incrivelmente mais leves, felizes com a insignificância universal.