Fotografia marginal de um bloco de carnaval

Carnabonde 2014 – Santos-SP
Daquilo que eu espero trazer no cartão, ou o motivo de eu estar ali, sempre tem aquilo que não dá pra deixar pra traz, mesmo não fazendo parte do trabalho. Chamo de fotografia marginal.

Todos os direitos reservados. Reprodução proibida.

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uma nova relação

O tempo passa e a gente não aprende mesmo. Já tinha ouvido falar dela, já tinha lido sobre ela, e o sentimento sem justificativa foi crescendo de forma irracional, sem uma razão clara. O único argumento é que eu precisava desse tipo de companhia. Quando ela chegou, nos estranhamos um pouco. Da minha parte havia uma atração física muito grande. Mas a diferença de mundos logo ficou clara. Comecei a me sentir meio coroa, meio careta, meio antiquado para as idéias de tão jovem e moderninha que era, mas que só aparentava certa maturidade e elegância.

Mas como o encontro fora tão esperado e planejado, não podíamos nos dar ao luxo de simplesmente desistir e não continuar tentando. Acho que no fundo, foi mais difícil pra ela se acostumar comigo do que eu com ela.

Mas hoje saímos no final da tarde pra caminhar na praia. Sem compromisso. Acho que o entardecer ajudou na química. Acho que rolou. Eu e minha nova camerazinha de bolso, hoje nos entendemos bem melhor. É, acho que eu e ela podemos ser bons companheiros, com ela 24 horas por dia na minha mochila, no painel do carro, sempre a mão. Minha nova ferramenta de brincar de fotografia.

 

#photobike2

Tirando o mofo do inverno, tirando a bicicleta do quartinho, lembrando que o corpo também precisa de atenção. Esse sendentarismo mórbido precisa de um tranco. A gente acaba esquecendo que o corpo também faz parte do material de trabalho.

Trabalhar carregando peso, mochilas e bolsas, nem sempre bem desenhadas, de modo correto, se dobrar todo pra buscar o melhor ponto de vista e muitas vezes fazer malabarismos improváveis parece bobagem e moleza pra quem não passou dos trinta e está cheio de elasticidade. Mas se não cuidar, o tempo vai cobrando caro os abusos.

Mas também é preciso aproveitar os recesso (voluntários ou não) pra deixar o sol entrar nas nossas mentes. Muito tempo seguidamente trabalhando para clientes, conduzido pela  necessidade de estar num caminho controlado e previsto para uma demanda comercial, sem pausas para uma criação mais livre e pessoal, acaba por criar ferrugem e a acumular fungos em toda a maneira de se comunicar através de fotografia.

Deixe o sol entrar, pegue uma bike, um skate, um par de tênis, sei lá! Cai na rua!

Se clicar nas fotinhos dá pra ver maior. A luz estava ótima nessa tarde.

 

na solidão de um viewfinder

Faz tempo que meu próprio discurso me incomoda: “Não consigo fotografar sem um viewfinder”. Me faz sentir como um purista, um avesso às compactas e celulares. Me faz sentir velho.

Explico, aos que não são íntimos de termos ligados à fotografia e seus instrumentos que viewfinder é o visorzinho, o buraquinho pequenino por onde se olha, se enquadra e, principalmente, se isola de tudo o que está a sua volta, das pessoas, das interferências e afunila sua concentração na fotografia que dali vai sair.

Há diversas razões para eu justificar minha aversão aos displays: A falta do apoio do rosto na câmera, a luminosidade excessiva, mas, principalmente: a falta de privacidade ao clicar. Pois há coisas que se faz sozinho. Meditar, decidir, chorar, sofrer, sentir dor de dentes… Coisas para um canto escuro. Enquadrar, compor, o pensar fotográfico é solitário. Para mim, é preciso entrar por aquele buraquinho, me esconder lá dentro, ficar a sós. Sem romantismo piegas, apenas a necessidade de concentração. Apenas a necessidade de intimidade e paz. Eu fotografo sozinho.