na solidão de um viewfinder

Faz tempo que meu próprio discurso me incomoda: “Não consigo fotografar sem um viewfinder”. Me faz sentir como um purista, um avesso às compactas e celulares. Me faz sentir velho.

Explico, aos que não são íntimos de termos ligados à fotografia e seus instrumentos que viewfinder é o visorzinho, o buraquinho pequenino por onde se olha, se enquadra e, principalmente, se isola de tudo o que está a sua volta, das pessoas, das interferências e afunila sua concentração na fotografia que dali vai sair.

Há diversas razões para eu justificar minha aversão aos displays: A falta do apoio do rosto na câmera, a luminosidade excessiva, mas, principalmente: a falta de privacidade ao clicar. Pois há coisas que se faz sozinho. Meditar, decidir, chorar, sofrer, sentir dor de dentes… Coisas para um canto escuro. Enquadrar, compor, o pensar fotográfico é solitário. Para mim, é preciso entrar por aquele buraquinho, me esconder lá dentro, ficar a sós. Sem romantismo piegas, apenas a necessidade de concentração. Apenas a necessidade de intimidade e paz. Eu fotografo sozinho.

 

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é pra esperar

Nunca surfei. Acho que foi mais vergonha de aprender, ouvindo histórias da pouca boa vontade que os adeptos têm com os “pregos”, do que falta de interesse mesmo. Sempre imaginei que, tão especial quanto deva ser escorregar por uma onda, deve ser esperar que a mesma se levante ideal.

Sai de casa às 5h45, mas essa luz, e a surfista, só chegaram depois das 8h. Ces’t La Vie

Levantar cedo, bem cedo, olhar pra fora e ver que o dia não promete nada, e mesmo assim, sair pra praia, ou pra rua, porta a fora que seja, é o que fazemos, tanto surfistas como fotógrafos. Esperar que a luz, ou a onda, se realize perfeita.

Afinal, nem onda do mar e nem luz natural, se repetem. São sempre únicas. E o que é único é surpreendente. Tem que aprender a esperar.